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A Unicidade Divina
(paixão), e lhe acrescentar, como dissemos, alguns aspectos de adoração. Porém, aquele sempre fica encarcerado e limitado, como qualquer amor humano.

O que amamos é o benefício que conseguimos de tudo quanto amamos ou o prazer que sentimos, com a aproximação da pessoa amada. Porém, quando o ser amado padece de uma enfermidade degenerativa, que carcome os seus órgãos e dissipa a sua beleza, ou quando a comida apodrece e mofa, ou quando muda a paisagem e desaparece a sua beleza, acaba-se o amor e este sentimento pode até converter-se em ódio. Ao contrário, o amor a Deus, que o crente sente, é um amor absoluto, irrestrito e ilimitado.

Em tudo que amamos nesta vida, amamos o Criador que fez as coisas, preparou e nos deu o poder para nos beneficiarmos delas e o prazer de vê-las ou tocá-las. O homem teme muitas criações. Teme o fogo abrasador, a fera selvagem, o veneno letal, o tirano poderoso. Porém, este é um temor limitado e condicionado, a evitar ou afastar-se do perigo, depositado naquilo que é temido ou provocado por ele. Mas quando ele se encontra a salvo, desaparece o medo. Ao contrário, o temor a Deus é absoluto e não é limitado, nem condicionado.

O amor e o temor a Deus são dois dos princípios da Unicidade divina e do espírito de adoração. É inevitável recordar que o amor a Deus não significa escrever-Lhe versos apaixonados, como fez Ibn Alfáred, nem tampouco denominá-lo paixão divina, nome cuja autoria foi atribuída a Rábia Aladawiya.

O temor a Deus não deve causar pânico, que conduz ao ódio, nem ansiedade, que nos faz perder o equilíbrio mental, mas o amor, que consiste em obedecê-Lo e preferir a Sua complacência e a subordinação ao Seu Mensageiro, aos prazeres do ego e aos sussurros do demônio. O Alcorão Sagrado diz:



"Dize: Se verdadeiramente amais a Deus, segui-me." (3ª Surata, versículo 31)

A subordinação é a medida do amor; e o temor consiste em afastarse do que é vedado e preferir o prazer da recompensa ulterior ao prazer da desobediência, nesta vida.

Assim, pois, a obediência a Deus não é como aquela devida às Suas criações. Obedecemos a uma parte das pessoas. A umas, em conseqüência de uma ordem de Deus, como, por exemplo, obedecer ao Profeta; a outras, por exigência dos costumes ou por temor ao perigo. Assim, o povo obedece ao governante, o filho ao pai, a mulher ao marido, o homem àquele que o agracia, se este manda fazer coisas que não lhe causam danos, e ainda é possível que um de nós seja obrigado a obedecer, por medo de que lhe façam mal.

Tudo isto (exceto a obediência ao Mensageiro, porque esta faz parte da obediência a Deus) é uma obediência limitada. Não é a obediência absoluta, pois esta é devida somente a Deus, em todas as coisas: no que nos agrada ou nos desagrada, naquilo cujo significado compreendemos e no que não compreendemos; esta obediência é fruto do amor a Deus e é uma prova d'Ele.

*11 - Sobre a história de Madame Curie e do seu marido. Aconselho que todos leiam este livro, para que saibam como é necessário ter paciência para se conseguir a ciência. Há, na história dos nossos sábios antigos, centenas de exemplos desta paciência, dedicação e esforço, para chegar à ciência.

*12 - A prova tradicional é um versículo do Livro de Deus ou um dos hadis do Mensageiro de Deus (Deus o abençoe e lhe dê paz).

*13 - Também creêm as mulheres da Itália que, se alçarem as mãos ante a tumba de algum santo, desaparecerá a sua esterilidade, caso sejam estéreis. Outras crenças, ainda mais assombrosas, têm as mulheres da Europa e da América.

*14 - Se um muçulmano bebe vinho, mesmo crendo em sua ilicitude, e reconhecendo o seu pecado, este pecado não é maior do que o de quem diz, por exemplo, que beber suco de limão, é ilícito.
Deus comparou isto, no Alcorão, à idolatria, e disse:
"Os idólatras dizem: Se Deus quisesse, não teríamos adorado ninguém, em vez d'Ele, nem nós, nem nossos pais, nem teríamos prescrito proibições, sem a Sua anuência." (16ª Surata, versículo 36).
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