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A Unicidade Divina
elas a biologia, a química, a física, a fisiologia, a medicina, etc. Cada um de nós se especializou em uma parte da ciência e dedicou todo o seu tempo a descobrir e compreender melhor as leis de Deus. Formaram-se, com isso, cientistas em biologia, química, etc.

4. Encontramos certas coisas, neste universo, úteis para nós, enquanto outras são prejudiciais. Observamos, também, que há dois tipos de coisas úteis e prejudiciais: Um pode ser por razão óbvia e aparenete. Sabemos, por exemplo, que o consumo de veneno causa a morte; é um conhecimento adquirido através da aplicação das leis da natureza, que incorporamos às nossas "ciências". O segundo tipo de coisas úteis e prejudiciais pode não ser por razão aparente e óbvia. Pode não estar baseado em alguma conhecida lei da natureza. Por exemplo, uma pessoa fisicamente forte e gozando de boa saúde, pode morrer repentinamente por causa de um ataque cardíaco; desconhecemos a razão de tal ataque. Ambos os fenômenos são causados por Deus.

5. Deus criou nos seres humanos as qualidades intrínsecas de gostar o que é benéfico e detestar o que é maléfico. Portanto, o homem faz o que pode para alcançar o que é benéfico e faz o possível para se afastar do que é maléfico. Neste contexto, ele se utiliza de todos os meios ao seu alcance. Alguns desses meios são permitidos pela religião e outros não o são, por serem contrários à seus preceitos. Então, quais são os meios permitidos pela religião e quais são os proibidos? Se o seu filho adoece e você tem o médico ao seu lado, a escutar as suas palavras, e lhe pede que examine a enfermidade e receite o remédio, este pedido de auxílio será legítimo, pois o seu pedido para curá-lo está apoiado nas leis naturais, que o Criador deste universo dispôs, através do homem, conhecedor desta lei. Porém, se pede auxilio a um curandeiro ou bruxo, para que o ajude a curá-lo, sem ciência, nem lei, mas mediante forças metafísicas, com as quais ele diz estar em contato sem demonstrar a sua existência pela ciência palpável, ou pela prova tradicional (*12), este é um pedido de auxílio vedado. Se for à tumba do médico, depois da sua morte e lhe pede auxílio, como ele não poderá examinar o enfermo ou prescrever-lhe medicamento algum, este também é um pedido vedado.

Se a ciência se encontra impotente e não tem remédios e você apela a Deus, implorando-Lhe a cura, mediante a caridade, ou pede a um homem virtuoso que implore a Deus por si, este é um pedido de auxílio legítimo. Porém, se chega à tumba deste homem virtuoso e lhe pede auxílio, como ele não pode articular palavra alguma para implorar a Deus, nem tampouco pode, ele mesmo, curar o doente, este é um pedido ilegítimo.

É legítimo procurar a cura através da administração de remédios, prescritos por um médico. Mas é ilegítimo fazer um talismã do remédio e pendurá-lo no pescoço de uma pessoa doente, ou dissolvê-lo em água e dar-lhe a mesma, na crença de que ela se curará com isso. Não é permitido procurar a ajuda das coisas que Deus não fez como meios óbvios de ajuda.

Por exemplo, a mulher estéril, que deseja ter um filho, se pede auxílio à ciência dos médicos e utiliza os medicamentos que Deus dispôs, extraídos segundo as leis da ciência, não comete algo ilegítimo, nem contrário à religião. Porém, se crê, como creem as velhas de Damasco (*13), que tocar a aldrava da mesquita de Hanabila, na montanha de Kazium, na primeira sexta-feira do mês de Rajab, provoca a gravidez, ou que amarrar um trapo na janela de uma tumba ajuda a conseguir isso, comete um ato ilícito e contrário à doutrina do monoteísmo.

Deduz-se de tudo isso que pedir o auxílio das leis naturais, consultar o homem da ciência e adotar as medidas normais para conseguir o benefício é legítimo e permitido, com a condição de que nos lembremos que o Beneficente, na realidade, é Deus, Altíssimo, unicamente Ele, e ninguém mais. O pedido de auxílio, mediante uma pretensa força metafísica, que não se apóia na ciência experimental, nem está sustentada por uma prova tradicional é um pedido vedado, contrário ao monoteísmo.
A Declaração de Licitude ou Ilicitude é da Competência de Deus

Estes benefícios, que conseguimos com a aplicação das leis da natureza são terrenos. Deus designou o nosso cérebro para descobrir essas leis, e ele não para descobrir algo além da matéria ou lograr os benefícios ulteriores. Nós trabalhamos para conseguir os benefícios e evitar os males, nesta vida, dentro dos limites da matéria. No outro mundo, não teremos capacidade para lograr o bem ou o mal.

Deus dispôs, para conseguirmos o benefício na outra vida, uma razão, e esta é cumprir com o nosso dever; e, para o prejuízo ulterior, a causa é praticar o que é ilícito. Tanto o que é lícito como o que é ilícito serão compensados com a recompensa ou com o castigo, e isto é da competência exclusivamente de Deus. Ninguém pode pronunciar-se para dizer que isto é lícito e aquilo é vedado, nem liberar algo, se Deus não o fizer, ou vedar o que Deus não vedou.

Quem dá ao outro o direito de dizer que isto é lícito ou ilícito é como se o adorasse e o associasse a Deus, em sua submissão (*14).
O Amor e o Temor a Deus

O ser humano ama e odeia. Ama a comida saborosa ou a bela paisagem. O homem ama a mulher, podendo exagerar neste amor
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