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Asmá bint Abi Bakr


Mesmo se tudo o que sabemos acerca de Asmá viesse ser esquecido pelos historiadores, o seu encontro final com seu filho Abdullah iria ser inesquecível, por causa da coragem, da peremptoriedade e da firme fé que ela demonstrou em tal situação.

Os antecedentes desse encontro final são como se segue:

Após a morte do califa Yazid b. Muawiya, todos do Hijaz, Egito, Khurasan e mais da Síria, haviam jurado sua lealdade ao filho dela, Abdullah b. al Zubair, como novo califa. Porém, o clã dos Banu Umayia tinha preparado um enorme exército sob a liderança de Al Hajjaj b. Yusuf al Sacafi, para fazer guerra contra o Abdullah, sendo que ambas as forças se colidiram em ferozes batalhas. O Abdullah al Zubair havia demonstrado o seu valor e a sua eficácia como líder, no campo, mas os seus apoiadores o abandonavam, conforme a guerra se arrastava. Os que permaneceram com o Abdullah fizeram um ultimo posto de resistência na área da Caaba, com sua mesquita, em Makka.

Horas antes da sua morte, Abdullah deixou por um pouco a batalha para fazer uma visita à sua mãe. Naquela altura, ela estava com cem anos, cega e fraca. Ele entrou na casa, e disse:

“Que a paz esteja contigo, mãe, bem como a misericórdia e as bênçãos de Deus!”

“E que a paz esteja contigo, ó Abdullah! Que te traz aqui, numa hora como esta, em que os matacões da catapulta de Al Hajjaj estão caindo sobre os teus soldados, na sagrada área de mesquita, e sacudindo as casas de Makka?”

“Vim pedir o teu conselho”, respondeu ele.

“Meu conselho? Sobre o quê?”

“Todos me têm desapontado, retirando o seu apoio, com medo de Al Hajjaj, ou na esperança de compartilharem do poder e da riqueza dele. Até os meus parentes e meus filhos me abandonaram. Apenas uns poucos homens permanecem comigo; porém, não obstante o quão firme eles se mostrarem, apenas serão capazes de agüentar uma hora ou duas. Os enviados dos Banu Umayia estão a me prometer que me darão o que eu quiser, se eu depuser minhas armas e jurar lealdade ao Abd al Málik b. Marwan, como novo califa. Qual é a tua opinião?”

A voz dela tornava-se forte, conforme dizia:

“A questão é da tua alçada, ó Abdullah, e tão somente tu sabes o que é melhor para ti. Se acreditas que estás certo, e estás lutando para o que é certo, então deves ser paciente e firme, assim como os teus apoiadores que morreram lutando pela vossa causa. Porém, se apenas estás a procurar a glória terrena, então és uma criatura indigna! tu causas a tua própria morte e a dos teus apoiadores, para nada.”

“Mas eu irei morrer hoje, de qualquer jeito”, ele objetou.

“É melhor morreres dessa maneira, do que te entregares espontaneamente a Al Hajjaj para seres decapitado. Tua cabeça iria terminar servindo de bola para o jogo dos escravos dos Banu Umayia!”

“Eu não tenho medo de morrer, mas a idéia de ser mutilado me horroriza”, disse o Abdullah.

“Uma vez que estejas morto”, ela argumentou, “isso não faz diferença. A ovelha que é abatida não sente a dor de ser depelada e esquartejada.”

Abdullah parecia confortado pelas palavras dela, e sorriu, dizendo:

“Que mãe abençoada és! Tu possuis tantas virtudes e qualidades abençoadas! Na verdade, eu somente vim aqui porque o que disseste é exatamente o que eu queria que dissesses. Deus sabe melhor do que ninguém que eu nunca perdi a coragem ou o vigor, e Ele é Testemunha de que eu não me meti nisto por amor à riqueza material e ao poder. Faço tudo isto como um protetor zeloso de tudo quanto Ele tornou sagrado. Vou agora ao encontro da sina que consentiste; assim, quando eu morrer, não te entristeças por mim! Que Deus te compense pelo que vieres a perder!”

“Iria me entristecer por tua causa, se fosses morrer para o bem da vaidade”, ela respondeu.

“Deves consolar-te com o fato de que teu filho, a sabendas, jamais se deu ao vício ou à concupiscência, nunca desobedeceu as leis de Deus, jamais traiu a confiança nele depositada, nunca oprimiu um muçulmano ou não-muçulmano, e jamais preferiu nada a causar o aprazimento do Todo-Poderoso Deus. Não estou dizendo isto para me engrandecer – pois Deus sabe melhor o que eu realmente sou –, mas digo-o para te consolar a ti.”

“Louvado seja Deus Que fez com que procurasses agradar a Ele e a
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