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Abdullah b. Jahch

Tão logo Abdullah acabou de ler, disse:

“O desejo do Profeta de Allah (S) é o nosso comando”; então, dirigindo-se aos seus companheiros, continuou: “O Mensageiro de Allah me ordena que eu viaje para Nakhla, para que eu observe os movimentos dos Coraixtas, e lhe envie informações sobre eles. Ele me proibiu de forçar qualquer um de vós a prosseguir nesta missão comigo. Se qualquer um de vós espera morrer como chahid, esta irá ser a sua chance. Mas se qualquer um de vós não deseja isso, poderá voltar, livre de culpa.”

O contingente respondeu unanimemente:

“O desejo do Mensageiro de Allah (S) é o nosso comando. Iremos acompanhar-te até aonde o Profeta de Allah (S) te ordenou ir!”

Assim, a companhia viajou, até que chegaram a Nakhla, onde se separaram, e começaram a observar as estradas e os caminhos, a fim de descobrirem o que pudessem acerca dos Coraixtas. Enquanto estavam engajados naquele mister, viram uma caravana dirigida por quatro homens do Coraix: Amr b. al Hadrami, Al Hakam b. Kaysan, Otman b. Abdullah, e seu irmão, Al Mughira. A caravana continha mercadorias que pertenciam aos Coraixtas, como couro e frutas secas.

Os membros da expedição imediatamente conferenciaram entre si; aquele era o último dia dos meses que os árabes pagãos consideravam sagrados, durante os quais eles nunca empreendiam uma ação militar2. Eles disseram:

“Se os atacarmos, e um deles for morto, toda a Arábia irá considerar que nós violamos os meses sagrados, e iremos estar vulneráveis à sua ira. Mas se esperarmos que este dia passe e passem os sagrados meses, eles terão entrado no sagrado território de Makka, e não poderemos, de maneira alguma, violar a sacraticidade de Makka.” Continuaram a conferenciar, até que concordaram unanimemente em atacar a caravana. Em poucos minutos eles atacaram, tomando dois homens como prisioneiros. Outro foi morto, e um quarto homem fugiu, deixando toda a caravana nas mãos do contingente.

A expedição foi dirigida de volta para Madina, levando com ela seus prisioneiros e a caravana. Quando os dirigentes se apresentaram ao Mensageiro de Allah (S), e o informaram da ação deles, ele a condenou severamente, dizendo:

“Por Allah, eu não vos ordenei que lutásseis, mas que observásseis os movimentos dos Coraixtas, e me trouxésseis notícias deles!”

O Profeta (S) ordenou que os cativos fossem detidos até que ele tomasse uma decisão acerca deles, e proibiu que alguém tirasse qualquer um dos conteúdos da caravana3.

O Abdullah b. Jahch e seus companheiros de expedição foram dominados pela humilhação e pelo pesar. Com provocarem a ira do abençoado Profeta (S), estavam certos de angariarem sobre si mesmos uma ira maior da parte de Allah, pois haviam desobedecido o Seu Profeta (S). A mortificação deles era completada quando seus irmãos muçulmanos os escarneciam. Toda a vez que alguém passava por eles, podiam ouvir:

“Eles desobedeceram o Mensageiro de Allah!”

As coisas se tornaram piores quando ouviram dizer que os Coraixtas estavam a usar aquele evento como uma desculpa para descreditarem o Mensageiro de Allah (S), entre os árabes, ao dizerem:

“Eis que o Mohammad violou os meses sagrados, causou derramamento de sangue, saqueou e fez cativos!”

A tristeza de Abdullah b. Jahch – e dos seus companheiros – estava além de descrição, especialmente por causa do embaraço que haviam causado ao Mensageiro de Allah (S). Enquanto eles estava naquele estado, alguns foram ter com eles, e os informaram que o Próprio Allah havia revelado versículos do Alcorão que lhes justificavam as ações. Imaginemos a alegria deles quando seus irmãos se chegaram a eles, abraçando-os e recitando para eles as palavras de Allah, no Glorioso Alcorão:

“Quando te perguntarem (ó Mohammad) se é lícito combater no mês sagrado, dize-lhes: A luta durante esse mês é um grave pecado; porém, desviar os fiéis da senda de Allah, negá-Lo, privar os demais da Mesquita Sagrada e expulsar dela (Makka) os seus habitantes, é mais grave ainda, aos olhos de Allah, porque a perseguição é pior do que o homicídio” (2:217).

Quando aquele versículo foi revelado, o abençoado Profeta (S) ficou sossegado. Tomou posse da caravana, pôs os cativos a resgate, e demonstrou a sua aprovação à ação do Abdullah b. Jahch e dos seus companheiros de expedição. Aquele foi um memorável evento na vida da comunidade muçulmana, porque constituiu a primeira ação militar e propiciou os primeiros despojos tomados em batalha. O homem que foi morto foi o primeiro dos pagãos a morrer na batalha contra os muçulmanos, e os cativos foram os primeiros a serem feitos pelos
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